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Aquecedor solar de água, uma alternativa para reduzir o consumo elétrico

Em tempos de crise hídrica, os aquecedores solares despontam como solução sustentável e econômica, e expectativa é que o segmento cresça até 10% este ano

 

Brasil Energia
Por: Thais Custodio

 

Com o aumento das tarifas de energia elétrica em decorrência da crise hídrica que levanta a possibilidade de racionamento, as alternativas para diminuição do consumo ganham mais relevância. Uma delas é a instalação de sistema de aquecimento solar de água.

A tecnologia, presente no Brasil há mais de 40 anos, é produzida com uso de matérias-primas nacionais e propicia uma redução de 37% no consumo elétrico residencial, ao substituir o chuveiro elétrico. Quando usada para aquecer água em hotéis, a economia pode chegar a até 70%.

Como parte de campanha publicitária para conscientização sobre o consumo de energia elétrica, o MME e a Aneel estão incentivando a adoção de sistemas solares para o aquecimento de água, por serem mais econômicos e ainda ajudarem a preservar o meio ambiente. Lançada em 16/08, a campanha visa incentivar a população a evitar o desperdício de eletricidade.

O aquecimento solar de água funciona de forma independente da rede elétrica. A partir de coletores, a radiação solar é captada e transformada em calor, que é transferido para a água de torneiras, chuveiros e piscinas. Após a transformação da radiação solar em calor, ele é absorvido por um líquido dentro do coletor e transportado por tubos até o depósito de água quente (reservatório térmico).

Feito por um material isolante, o depósito mantém a água quente mesmo em dias frios. Os aquecedores acompanham um sistema auxiliar, que pode ser elétrico ou a gás, para uso caso ocorra pouca incidência solar.

As empresas que atuam nesse segmento esperam que ele cresça de 6% a 10% este ano, de acordo com pesquisa feita pela Abrasol. O mercado nacional conta com 280 empresas entre fabricantes, revendedores e instaladores.

O volume de produção de coletores solares térmicos no Brasil somou 1,42 milhão de metros quadrados em 2020, um aumento de 7,3% na comparação com 2019. Ao todo, o país possui 19,2  milhões de metros quadrados de área acumulada de coletores solares, o que representa 13.500 MW.

O Brasil é o quinto país com maior capacidade instalada de aquecedor solar de água, com 11.258 MW, atrás da China, EUA, Turquia e Alemanha, segundo dados de 2018 compilados na publicação Solar Heat Worldwide 2020, da Agência Internacional de Energia.

Proposta para expansão

O incentivo ao uso de sistemas de aquecimento solar de água na campanha publicitária governamental ocorre após a Abrasol ter recomendado ao MME e à Aneel a divulgação dos benefícios da solução à população.

O presidente da associação, Oscar de Mattos, conta que, em reunião com a entidade no fim de junho, o MME se comprometeu a divulgar a tecnologia e perguntou o que mais poderia ser feito para impulsionar a disseminação dos aquecedores solares. A partir disso, a Abrasol se reuniu com membros do segmento e desenvolveu a proposta de que os cidadãos passem a poder usar seus fundos de garantia do tempo de serviço (FGTS) para investir na instalação de aquecedor solar de água. Essa sugestão foi enviada via ofício ao MME na última semana.

Segundo Mattos, o pico de energia pelo uso de chuveiros elétricos para aquecimento de água faz com que as empresas de eletricidade tenham que investir muito em transmissão e distribuição. “No horário de pico, às 19 horas, por exemplo, quando a maioria das pessoas vai tomar banho, o aquecedor solar de água propicia uma redução de 37% no consumo de energia elétrica nas residências. A economia proporcionada pelo aquecedor solar de água é equivalente a 7,2% do consumo total de eletricidade no Brasil”, afirma Mattos, completando que o setor residencial representa 27% da demanda no país.

Oscar de Mattos, da Abrasol: necessidade de investimentos em infraestrutura elétrica pode ser reduzida com um maior uso de aquecedores solares (Divulgação)

Distribuição e preços

O custo para compra e instalação de um sistema de aquecimento solar em residência varia entre R$ 2.500 e R$ 5.000. O menor valor corresponde a um sistema de 200 litros de água, que atende a quatro banhos diários. O tempo de retorno do investimento é de dois a três anos. Já a vida útil do sistema é de 20 a 25 anos.

O setor que mais utiliza a solução é o residencial (70%), seguido pelo comercial (16%), projetos sociais (6%) – como o programa habitacional do governo federal –, industrial (5%) e serviços (3%). Quanto à distribuição de vendas de sistemas de aquecimento solar de água por região do Brasil, a Sudeste foi a mais representativa (55%) no ano passado. Contudo, ela representava 65% em 2019, o que mostra que o uso da tecnologia está mais pulverizado entre as regiões. Na sequência, estão as regiões Sul (19%), Centro-Oeste (13%), Nordeste (8%) e Norte (5%).

Solis

Como reflexo do crescimento da demanda por soluções econômicas e sustentáveis, a Solis, empresa que fabrica sistemas de aquecimento solar, prevê encerrar 2021 com faturamento acima de R$ 30 milhões, um aumento de mais de 30% no volume de vendas na comparação com o ano anterior. Isso representa mais de 116 mil metros quadrados de coletores solar e mais de 1.800 metros cúbicos de reservatórios térmicos. O diretor técnico e comercial da Solis, Leonardo Chamone Cardoso, conta que o crescimento da construção civil no país impulsiona os negócios da empresa que foi criada em 2011. “A partir deste ano, é possível que passemos a dobrar de tamanho a cada três anos”.

Atualmente, 50% das vendas da companhia são para banho residencial, 20% para obras de grande porte (edifícios residenciais, hotéis e hospitais) e 20% para climatização de piscinas. Os 10% restantes correspondem a distribuição de equipamentos de energia fotovoltaica que a empresa importa. A Solis trabalha na modalidade B2B e conta com mais de 270 pontos de vendas autorizados espalhados por todas as regiões do país. Entre os empreendimentos que contam com os produtos da Solis, estão o Sesc Guarulhos, que tem aquecimento solar para piscina, com 650 m² de coletores solares; e o Hotel Grand Oca Maragogi, em Alagoas, cujo sistema tem capacidade para 61.000 litros de água e 624 m² de coletores solares.

Leonardo Chamone Cardoso, da Solis: “Temos dobrado o volume de vendas a cada quatro anos”. (Divulgação)

Uso em novas construções

Na cidade de São Paulo, desde 2008, é obrigatório o uso de aquecedor solar de água no caso de: novas residências com quatro ou mais banheiros; novas edificações comerciais (como academias, clínicas e hotéis) e instalações que incluem a construção de piscina com água aquecida. O decreto municipal 49.148/2018 estabelece que os aquecedores solares deverão ser dimensionados para atender, no mínimo, a 40% de toda a demanda anual de energia necessária para o aquecimento de água.

A Tarjab, construtora de edifícios residenciais e comerciais, passou a incluir a instalação de sistema de aquecimento solar de água em seus empreendimentos no município de São Paulo para cumprir com a norma. No entanto, a empresa também busca incorporar a tecnologia em empreendimentos que não estão dentro das obrigatoriedades do decreto, quando possível dadas as características
dos projetos.

Visando promover a sustentabilidade, a Tarjab também tem incluído aquecedores solares em edifícios localizados em cidades onde seu uso não é obrigatório, afirma o diretor técnico da Tarjab, Sergio Domingues. Ele cita Curitiba (PR) e Campinas (SP) como exemplos de municípios em que a empresa aplicou a tecnologia em seus projetos.

“Os sistemas de aquecimento solar de água dos empreendimentos da Tarjab são centrais, instalados na cobertura dos edifícios. Em média, eles atendem a 50% da demanda dos usuários. Na hora da concepção do produto imobiliário, incorporamos a previsibilidade de haver medidores de consumo de água quente individuais para cada morador”, diz Domingues.

 

 

Sergio Domingues, da Tarjab: construtora passou a incluir a instalação de sistema de aquecimento solar de água em seus empreendimentos. (Divulgação)

 

Já Glauber Oliveira, morador de Barueri (SP), conta que decidiu instalar um aquecedor solar de água na sua casa há cinco anos, após pesquisar sobre energia renovável e ver que o investimento na solução era baixo e de rápido retorno.

O sistema proporciona água quente para as torneiras e chuveiros, com capacidade de 1.000 litros, mais que suficiente para os quatro residentes da casa. Ele obteve o retorno do investimento em dois anos e tem percebido uma redução de mais de 30% na conta de energia elétrica. Após observar os benefícios da energia solar térmica, Oliveira passou a incluí-la nas casas que constrói na sua cidade e em Santana do Parnaíba.

Outros incentivos à tecnologia

O uso da solução vem sendo estimulado por meio de programas habitacionais. De acordo com a Secretaria Nacional de Habitação, sistemas de aquecimento solar são utilizados em unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida desde 2011. Mas foi em 2017, com a Portaria 643, que seu uso passou a ter norma. Foram previstos incentivos relativos à elevação dos valores máximos de aquisição em até R$ 3 mil. Nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul era obrigatória a instalação. Para as regiões Norte e Nordeste era opcional. Até abril do ano passado, um total de 80.319 moradias haviam sido contratadas com os sistemas.

O programa Casa Verde e Amarela, que entrou em vigor em janeiro, substituiu o Minha Casa Minha Vida. Além do financiamento habitacional, que havia no programa anterior, o Casa Verde e Amarela abrange também regularização fundiária e melhoria de residências. A melhoria habitacional consiste na reforma e ampliação do imóvel, incluindo instalação de equipamentos de aquecimento solar ou eficiência energética. A meta é regularizar 2 milhões de moradias e promover melhorias em 400 mil até 2024.

Por sua vez, as distribuidoras de energia costumam promover a instalação de sistemas de aquecimento solar de água, como parte do Programa de Eficiência Energética da Aneel. Um exemplo é a CPFL Piratininga, que investiu R$ 1,25 milhão para instalar 5.200 sistemas, de outubro a julho, em sua área de concessão, com o objetivo de reduzir o consumo de energia dos chuveiros elétricos.

Somente em Salto de Pirapora (SP), o projeto envolveu residências de 1.000 famílias de baixa renda, com estimativa de redução de 702 MWh ao ano. A região atendida pela distribuidora conta hoje com mais de 20 mil aquecedores, o que representa investimento de mais de R$ 50 milhões por parte da companhia.

A energia solar térmica também é utilizada em hospitais. A Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, por exemplo, possui 60 coletores solares instalados na unidade Almir Gabriel, que aquecem a água para o banho dos recém-nascidos acomodados nas enfermarias e alojamentos conjuntos. O sistema representa diminuição mensal de até 15% na conta mensal de energia elétrica do setor do hospital.

Matéria Publicada originalmente no portal Brasil Energia

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